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A Primeira Revista Colaborativa de Vitória

O preconceito contra a infertilidade – Dia das Mães

ser_maeAtualmente reprisada no Vale a Pena ver de Novo, quando passava pela primeira vez em 2005 a novela Senhora do Destino foi tema de um artigo da jornalista da Folha de S.Paulo e mestre em história da ciência pela PUC de São Paulo Cláudia Collucci. Na trama, a vilã Nazaré (Renata Sorrah) é estéril e sequestrou Isabel (Carolina Dieckman) quando ela era bebê.

Adulta e grávida, Isabel descobre as mentiras da falsa mãe e diz pérolas do tipo ‘ela [Nazaré] me olhou com o ódio de uma mulher estéril para uma grávida’, ‘você [Nazaré] é seca’, ‘nunca vai entender o que é amor porque nunca foi mãe’ e ‘sua barriga é oca’.

Ofendida por Nazaré, devolve o insulto com algum termo pejorativo referente à condição de estéril da vilã.

“É um absurdo. Os termos seca e oca são pejorativos, cruéis. Em hipótese nenhuma devemos permitir que sejam associados à infertilidade”, dizia Odete dos Santos, então com 46, da ONG Projeto Ser Mãe. A ONG reúne mulheres com dificuldade de gravidez ou vítimas de abortos.

Em relação a outros campos e que fala sobre a dor de quando a gravidez não vem é “No Less Than a Woman (Infertility) “, da cantora jamaicana Lady Saw. A letra ela mesma escreveu após sofrer o segundo aborto. “Eu estava mal, deprimida em meu apartamento no Queens (New York City) e então as palavras começaram a surgir. É a minha história, meus abortos e minha tristeza”, conta a Saw, 39 anos.

Imagem de Amostra do You Tube

Mesmo com três filhos adotivos, Saw acredita que gerar um filho no seu útero será diferente. E, apesar do trauma dos abortos, ela diz que continuará tentando. “Às vezes fico olhando a saída das escolas e penso: “Oh Deus! Tantas crianças e nenhuma pertence a mim!. Eu amo meus filhos adotivos, tenho muito orgulho deles, mas eu adoraria a experiência de dar luz a um bebê.”

Saw diz que também escreveu a música como forma de denunciar o preconceito do qual são vítimas as mulheres inférteis na Jamaica. “Há muitas pessoas negativas que adoram martirizar, ridicularizar as mulheres jamaicanas que não conseguem ter filhos.” Segundo ela, essas mulheres são chamadas de “mulas” pelas outras que já têm seus filhos.

Nessa questão vale lembrar que mula é resultado do cruzamento entre um jumento e uma égua, é um animal estéril porque não produz óvulos – o mesmo vale para seus irmãos burros, que não produzem espermatozóides.

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