O envelhecimento e o mercado de trabalho
“É preciso lembrar que a sabedoria de vida, a especialização profissional e a visão experiente dos mais velhos podem enriquecer as práticas de trabalho”
Nos tempos modernos podemos observar o aumento considerável da expectativa de vida dos indivíduos. Cada vez vivendo mais, cada vez produzindo mais. A evolução das ciências ligadas à saúde, o estudo aprofundado do corpo humano, seus recursos e limites, vem orientando o mercado em geral para a produção de recursos que possibilitam o melhor aproveitamento de nossa mais importante ferramenta, o nosso corpo.
Sabemos que o Brasil é considerado ainda como um país de população jovem, mas as políticas públicas voltadas para o sistema de aposentadoria vêm sofrendo mudanças e buscando adaptar-se à nova realidade que se apresenta. O brasileiro está envelhecendo, e com saúde.
Mas constatamos que o idoso em nossa sociedade é visto como um ser dependente, desatualizado, improdutivo. Ouvimos inúmeros relatos das perdas ligadas ao envelhecimento, mas raramente são mencionadas as possibilidades de ganhos. É preciso lembrar que a sabedoria de vida, a especialização profissional e a visão experiente dos mais velhos podem enriquecer as práticas de trabalho.
Infelizmente a responsabilidade por um envelhecimento saudável tem sido colocada nas mãos dos indivíduos, sem uma preocupação eficaz sobre o coletivo que envelhece ainda atuante em sua prática profissional. Seria preciso construir novas formas de gestão organizacional que pudessem inovar e envolver trabalhadores mais velhos.
Caberia aos profissionais ligados ao setor de recursos humanos a coordenação de programas de treinamento nos quais os trabalhadores mais experientes pudessem se engajar, buscando aprimorar as habilidades e conhecimentos trazidos por profissionais mais jovens. Profissionais em início de carreira trazem muitas vezes uma bagagem substancial de conhecimentos tecnológicos que, aliados à experiência dos profissionais mais velhos, podem ser mais bem aproveitados em sua aplicação prática.
É preciso aceitar como natural o processo de amadurecimento para que a velhice seja vista como oportunidade de aprimoramento das gerações mais jovens, mantendo incluído na sociedade o indivíduo de idade avançada, saudável e produtivo. Assim vamos manter viva a idéia de que podemos aprender e ensinar sempre, por toda a vida.
Ingrid Bravim é Psicóloga de Recursos Humanos da Ápice – Psicologia e Desenvolvimento. Escreve quinzenalmente em Infovix.
Participe da nossa comunidade no Orkut. Lá você poderá sugerir pautas e colocar sugestões.
Siga-nos no Twitter para saber em tempo real o que acontece em Vitória.
Através do nosso RSS. você recebe uma mensagem no momento em que ela é postada.