Infovix

A Primeira Revista Colaborativa de Vitória

Entrevistando sem pré-julgamentos

“De posse do perfil que se deseja de profissional, o entrevistador conduz o roteiro da entrevista investigando motivações, temores e conquistas que fazem parte das experiências de vida do indivíduo.”

A entrevista representa importante ferramenta de trabalho nos diversos campos de atuação da Psicologia. Seja no conhecimento da dinâmica de uma família que se coloca em terapia, na seleção de profissionais ou na avaliação de seu potencial. Ao planejar uma entrevista precisamos, antes de tudo, definir nossos objetivos – o que se quer saber? Quais são as informações mais importantes para tal processo?

Considerando a entrevista como um processo de comunicação, é preciso observar as várias interferências presentes. O ambiente onde se realiza a entrevista é fator primordial ao seu bom desenvolvimento. O local onde a entrevista acontece pode permitir coleta eficaz dos dados necessários ao processo que se desenvolve.

É de extrema importância reservar espaço físico onde haja privacidade, evitando interrupções desnecessárias ou divulgação indelicada de informações pessoais ou até mesmo íntimas.  Ao entrevistador cabe o cuidado com o uso correto da linguagem, evitando  expressão não-verbal de opiniões. Entrevista não é momento para expor opiniões, mas para coletar informações.  É preciso saber perguntar e é preciso saber ouvir.

No momento da entrevista, pesquisam-se tanto informações profissionais como experiências pessoais do entrevistado, observando-se seu comportamento expresso ou encoberto. De posse do perfil que se deseja de profissional, o entrevistador conduz o roteiro da entrevista investigando motivações, temores e conquistas que fazem parte das experiências de vida do indivíduo. Tateando com cuidado, escolhendo palavras e formas de se expressar, buscando a melhor estratégia a ser utilizada com cada profissional.

Dizer que todos nós somos diferentes não é novidade. Mas ao entrevistador cabe atenção especial à diversidade humana. Podemos utilizar uma metáfora, em que um mergulhador vai ao fundo do mar e de lá traz a mais preciosa das pérolas consigo. Imaginemos que o mergulhador seja o entrevistador, o mar, o entrevistado e a pérola, as preciosas informações que são coletadas no processo. Mas o mar mostra-se de formas diferentes nos quatro cantos do mundo. Mais calmo ou agitado, de águas límpidas ou turvas, profundo ou raso.

Assim, precisamos pensar e sentir a pessoa que se coloca à nossa frente para ser entrevistada, como alguém que traz dentro de si valiosas informações, que podem vir à tona ou não, dependendo das habilidades do entrevistador.

Ingrid Bravim é Psicóloga de Recursos Humanos da Ápice – Psicologia e Desenvolvimento. Escreve quinzenalmente em Infovix.

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