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A Primeira Revista Colaborativa de Vitória

Índice de dengue no ES já é o maior registrado no estado

Mesmo com 1.311 casos em uma semana, Sesa espera uma queda em 200 registros a cada novo balanço de notificações. O número de mortes é maior do que as registradas desde 1995.

A Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) divulgou na última segunda-feira os mais recentes números de notificações de casos de dengue no Espírito Santo. Só neste ano foram 39.065 notificações – dados referentes a 18 de maio. Esse total representa quase 2 mil casos a mais em relação ao que foi registrado ao longo de todo o ano passado, com 37.183 registros. Em 1998, ano com o maior índice registrado no estado até agora, foram 39.341. Mesmo assim, a Sesa  e a Prefeitura de Vitória dizem esperar que nos próximos dias os índices de notificações reduzam.

Essa expectativa se deveria a mudanças climáticas desfavoráveis ao mosquito que ocorreriam a partir deste mês de junho. Há pelo menos três semanas as temperaturas estão mais baixas e as chuvas mais raras na Grande Vitória. Mas as notificações de dengue continuam altas e a Sesa chega a dizer que tem a expectativa de que se chegue a 200 casos a menos por semana, mesmo que entre 11 e 18 de maio as notificações tenham tido um acréscimo em 1.311 casos.

Segundo o coordenador do Comitê Executivo da Dengue da Sesa, Gilton Almada, espera-se que o Estado fique com uma média de 50 notificações por semana até meados de novembro. A partir de então, com o retorno do calor e das chuvas, os casos tenderiam a voltar a subir.

“Essa expectativa é feita pelo histórico que temos de anos anteriores. Como este ano a dengue atingiu um patamar de casos muito alto, a queda demora mais para acontecer. Com o inverno, as condições ambientais para proliferação do mosquito não são boas”, justifica Almada.  Ele afirma ainda que a Sesa já está se preparando para o surto de 2010. “Estamos tentando entender o que aconteceu, em comparação com outros Estados, e se o que foi feito lá pode ser realizado aqui”.

Jardim Camburi

Na semana entre os dias 18 e 22 de maio foi feita a tentativa de se saber com a Secrtaria Municipal de Saúde de Vitória (Semus) os números de casos de dengue em Jardim Camburi, bairro que tem registrado o maior número de notificações em Vitória. A Infovix solicitou em 19/05, terça-feira, à Secretaria Municipal de Vitória os dados referentes à dengue no bairro. Os dados foram encaminhados apenas na segunda-feira da semana seguinte (25/05).

Pelas informações que foram passadas, até o dia quatro de maio foram notificados em Jardim Camburi 783 casos suspeitos de dengue. Desses, 20 casos teriam sido confirmados como graves – febre hemorrágica da dengue ou dengue com complicações, sendo uma morte. Segundo a Semus, está circulando o sorotipo DEN 2 da dengue no município, a julgar pelo número alto de casos graves.  “Isso nos leva a acreditar que muitas pessoas ainda são suscetíveis a adquirir a doença”, afirmou-se.

Isso acontece porque quando uma pessoa é picada por um mosquito infectado com um vírus de um sorotipo, adquire imunidade permanente para este sorotipo, mas não para os demais. Por exemplo, um indivíduo teve dengue causada pelo sorotipo 1 e é picado por um mosquito infectado com um vírus do sorotipo 2; neste caso ele pode ter dengue novamente, pois só tem anticorpos para sorotipo 1 e não para 2.

Em relação ao fato de Jardim Camburi costumar liderar os casos de notificações de dengue em Vitória, a Semus afirma que se deve “analisar comparativamente os bairros ou territórios utilizando a incidência da doença, que leva em consideração o número de casos suspeitos e o número de habitantes de cada local”. Nesse sentido, apesar de ocupar o primeiro lugar no ranking dos bairros mais acometidos pela doença, “o bairro é extremamente populoso e ocupa o 14º lugar na análise de incidência da doença”, diz a Secretaria.

Slides com uma série de informações sobre a dengue, dentre as quais explicações sobre sintomas, prevenção e tipos da doença

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Lei Municipal

Segundo a Semus, a Prefeitura de Vitória editou o Decreto nº 11.535, de 24/02/2002. Por esse Decreto, não encontrado no site da Prefeitura ou no da Câmara Municipal, seria permitido a entrada forçada em imóveis abandonadas e/ou fechados com objetivo de combater os focos de mosquito.

Durante o mês de fevereiro teriam sido realizadas entradas em 29 imóveis de nove bairros de Vitória. Nestas visitas foram eliminados 165 de 731 depósitos inspecionados. Também teriam sido identificados, tratados e/ou destruídos 25 depósitos com focos de mosquitos. Os focos de mosquitos foram isolados em charcos, materiais descartáveis e depósitos fixos.

No mês de março foram visitados 55 imóveis abandonados no município. Nestas visitas foram inspecionados 1055 depósitos, sendo realizada a eliminação de 623 depósitos e tratamento com larvicida biológico 134. Foram encontrados 24 focos nestes locais.

Queixas

O Espírito Santo registra um total de 26 mortes por dengue em 2009. Esse número é maior do que o número de mortes registradas desde 1995. Daquele ano até 2008 foram 25 mortes. Em relação a este ano, das 26 mortes mortes, 13 são pela forma hemorrágica da doença – quando se pega dengue por mais de uma vez. Em Vitória foram duas mortes por dengue hemorrágica, três por dengue com complicações e três estão sob investigação. O registro de morte feito em Jardim Camburi foi de um homem de 56 anos, por dengue hemorrágica.

Essa escalada dos registros de dengue também se reflete nas reclamações e solicitações feitas ao Fala Vitória 156. Tem aumentado o número de ligações sobre denúncias de terrenos baldios que possam servir de abrigo para o mosquito da dengue, reclamações de vizinhos que não se preocupam com focos, pedidos de visita de agentes e de carro fumacê. Pedidos de limpeza pública, aí incluídos mutirões em terrenos baldios, ocupam o primeiro lugar entre as ligações recebidas pelo serviço: desde o início do ano até o fim de abril a prefeitura recebeu 5.447 ligações.

No entanto, alguns moradores reclamam do desleixo alheio, mas não cuidam da própria casa. “Há pessoas que ligam reclamando de focos de dengue perto de casa, em terreno baldio ou na residência do vizinho, mas os agentes acabam encontrando focos na casa dessas mesmas pessoas”, afirma o secretário de Coordenação Política, José Roberto Corrêa do Nascimento.

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