Infovix

A Primeira Revista Colaborativa de Vitória

A produção da matéria especial sobre o Dia das Mães

foto-doisO levantamento sobre com qual tema a Infovix seria inaugurada começou em março. Como as atividades em torno da revista começariam em maio, o tema de uma matéria especial ficou em torno do Dia das Mães.

Mas também deveria ser uma abordagem diferente. Uma abordagem sobre o Dia das Mães que logo marcasse a proposta de uma visão inovadora da revista. A pesquisa sobre os assuntos já publicados indicou que as matérias sobre o Dia das Mães costumam ser sobre o quanto o índice de vendas irá variar e variou em relação ao ano anterior. Histórias de mães dedicadas a seus filhos também são destacadas.

Entre uma pesquisa e outra,  vi que uma matéria diferente seria tentar entender como ficam nessa época as mulheres que tentam mas não conseguem engravidar, ou mesmo que não desejam ter filhos. O próximo passo então foi:

Buscar relacionar o desejo de ser mãe que aumenta nesta época do ano. Consultar psicólogos para saber:  É normal aumentar no mês de março o número de mulheres que procuram atendimento querendo ser mãe? Em qual proporção essa procura aumenta? Quais as principais explicações para o caso de mulheres que se dizem em dificuldade em engravidar? Quais são as principais recomendações médicas para o caso dessas mulheres?

O drama  e a pressão são intensos. Maior do que pensava que fosse. O blogue “Quero ser mãe” da jornalista Claúdia Collucci foi um bom começo para que eu, homem e que não penso em ter filhos tão cedo, tentasse entender e traduzir o mais próximo possível o que sentem e pensam as mulheres que estão em dificuldade ou não pensam em ter filhos. Capturei quase 100 páginas do blogue, entre postagens e comentários de visitantes. Acabei fazendo uma entrevista com Cláudia que, há quatro anos, também conta no blogue sobre sua vontade de ser mãe.

Mas existem uma diversidade de blogues, muitas comunidades online e diversos fóruns e uma discussão bem rica. Até tentei entrar em um grupo de discussão. Mas teve  a questão de que o pedido de participação teve retorno com um formulário a ser preenchido. Até agora não houve resposta.

O interessante de perceber das pesquisas feitas em comunidades online é que muitas relatam suas histórias nesses espaços, deixam MSN mas negam dar entrevista. Algumas até aceitam mas logo somem, não retornam emails ou ligações. Duas até aceitaram dar entrevista mas não retornaram as respostas. Uma outra até chegou a dizer que o marido era muito ciumento e que não poderia conversar com homens por MSN. Dar telefone para conversar, claro, nem pensar.

Depois de estranhar vi que pode ser até normal esse tipo de atitude. As conversas, os dramas pessoais, o dia-a-dia são feitos online como se fosse uma prática offline. Como se fosse a conversa desenvolvida ali ficasse restrita só entre [aqueles] amigos ou pessoas que têm um comum que as une. O estranho que chega é ignorado, cortado. Não se pensa que outras pessoas acessam, leem, comentam, espalham, ou pedem uma entrevista para espalhar ainda mais.

De várias tentativas de contato com mulheres que tentam engravidar, uma foi especialmente bem receptiva, Ana. Ela mora no Rio de Janeiro mas morou no Espírito Santo algum tempo. Ana respondeu a todas as perguntas, encaminhou fotos e ainda buscou convencer algumas de suas colegas virtuais a dar entrevista. Ela mesma diz que falar é uma terapia.

Mas também não é com todo mundo com quem Ana fala. Com os amigos offline, por exemplo, ela não conversa sobre gravidez. Contudo faz da comunidade do orkut uma espécie de email. Checa diariamente e escreve quase sempre. Comigo resistiu um pouco, aceitando em falar convencida da seriedade do trabalho. Uma das amigas indicadas foi Adrielle, que também aceitou contar sua história para essa matéria especial. O processo de entrevista com as duas foi por MSN.

Também fiz entrevista com duas psicólogas com experiência de atendimento nessa área. A principal questão colocada é que ser mãe é vista como parte da identidade da mulher. Aquela que tem dificuldades ou simplesmente opta por não engravidar é vista como estranha, seca, incompleta. Não se pergunta por que engravidar. Não se considera a possibilidade se construir uma identidade que não integra o papel de ser mãe. Uma das perguntas que fiz para a psicóloga Luciana Leis, por exemplo, foi a seguinte:

Qual perfil poderia ser traçado de quem procura ajuda para engravidar?

São mulheres, na grande maioria das vezes, que sentem-se impotentes frente à dificuldade de gravidez, vivenciam sentimentos de tristeza, frustração, culpa, medo de perderem seus companheiros, vazio e sensação (em alguns casos) que são menos mulheres que as outras, pois a vivência da infertilidade costuma mexer também com a identidade feminina da mulher.

A íntegra das entrevitas feitas com as psicólogas será disponibilizada em breve.

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