A escolha profissional diferente da dos pais
Uma nova prática exige do profissional a capacidade de prever novos cenários e obter uma visão que extrapole as fronteiras dos produtos e serviços já existentes no mercado
Certa vez conversei com uma senhora que tinha uma filha estudante de Psicologia. Ela me dizia o quanto lamentava o fato de a filha ter escolhido outro caminho profissional que não o dos pais, formados em Química. Ela me dizia que seria muito mais fácil orientar e encaminhar a filha em sua trajetória profissional se a moça tivesse seguido o mesmo caminho que o deles.
Refletindo sobre essas palavras, vejo o quanto a realidade atual traz mudanças de valores e exige das pessoas uma rapidez de adaptação ao novo. O relato dessa mãe não é de todo estranho. Em tempos passados, havia uma tradição familiar a seguir: famílias de costureiras, de policiais, de médicos. Mas hoje, com o crescente leque de opções com o qual nos deparamos, talvez se torne cada vez mais difícil realizar os desejos de pessoas como os dessa mãe.
A cada dia, uma nova profissão é organizada e lançada no mercado. Na maioria das vezes, para acalmar uma demanda já existente, surgem necessidades que são criadas a partir de novas rotinas. Com a popularização dos computadores, um novo mundo vem se abrindo e nos permite conhecer novas culturas, hábitos e necessidades. E, além de tudo, descobrir em nós mesmos novas habilidades que possam ser utilizadas de forma eficiente, produtiva e eficaz.
A competição atual se estabelece, então, pela criação e pelo domínio de oportunidades. Ou seja, pela criação de novos espaços e pela posse dos espaços criados. Essa nova prática exige do profissional a capacidade de prever novos cenários e obter uma visão que extrapole as fronteiras dos produtos e serviços já existentes no mercado.
E a família, como fica em meio a toda essa modernidade? Os pais, que em sua maioria, se distanciam em tempo cronológico de seus filhos, precisam buscar as devidas atualizações para que a distância do tempo tecnológico não seja tão significante. E, acima de tudo, flexibilizar. Como seria se essa mãe, do início do relato, se sensibilizasse para as questões trazidas pelo estudo da Psicologia, permitindo que essa nova profissão, que ingressa aos poucos nessa família tradicional, possa enriquecer o convívio e não distanciar as pessoas do núcleo familiar?
Ingrid Bravim é Psicóloga de Recursos Humanos da Ápice – Psicologia e Desenvolvimento. Escreve quinzenalmente em Infovix.
Participe da nossa comunidade no Orkut. Lá você poderá sugerir pautas e colocar sugestões.
Siga-nos no Twitter para saber em tempo real o que acontece em Vitória.
Através do nosso RSS. você recebe uma mensagem no momento em que ela é postada.