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A Primeira Revista Colaborativa de Vitória

A arte do encontro

rh_3A avaliação psicológica vai além dos registros realizados nos testes aplicados. Ela está presente em cada contato que o candidato faz com seu avaliador.

Avaliação psicológica. Essas palavras têm o poder de fazer tremer as pernas dos mais preparados dos mortais. A idéia de ser avaliado por outro ser humano, desconhecido na maioria das vezes, que usa recursos também desconhecidos para o levantamento de dados coloca as pessoas em geral em um lugar bastante desconfortável.

Qualquer pessoa que precisa trabalhar, ao se deparar com a avaliação psicológica sente-se insegura, pois sabe que os resultados dos testes poderão abrir totalmente uma porta entreaberta ou fechá-la naquele momento.   E então, tudo muda.  De figura simples, a pessoa em questão transforma-se em alguém que precisa  comprovar, através de testes e da expressão de seu comportamento, sua boa índole e eficácia profissional.

O processo de recrutamento e seleção busca investigar aptidões que possam indicar se o candidato à vaga preenche ou não o perfil exigido pela empresa. Esta é uma etapa do processo, quando o candidato concorda em ser investigado e também em se expor, falando de questões pessoais como a situação familiar, por exemplo, para uma pessoa que ele nunca viu! Vamos então imaginar essa cena: um candidato e um avaliador. Uma cena repleta de emoções, como medo, ansiedade, nervosismo, insegurança, desespero, que muitas vezes são abafadas e disfarçadas.

E então nos perguntamos: como alguém que está concorrendo a uma vaga de emprego e precisa comprovar e demonstrar sua boa índole e eficácia profissional vai alcançar êxito com a alma preenchida por todas as emoções citadas, que desarmonizam qualquer ser humano? É nesse momento que entra em cena, do outro lado da mesa, o profissional de psicologia.

O processo de recrutamento e seleção representa muito mais do que preencher uma vaga com um ser humano que vai render mais para a empresa. Significa preencher uma vaga com um ser humano e toda a sua complexidade. E essa complexidade está presente ali, na recepção da empresa de recrutamento e seleção, na sala de espera, na sala de testes, na sala de entrevistas. E mesmo ao telefone, quando são feitos os contatos iniciais. É esse ser humano complexo que precisa ser acolhido com todo o cuidado. Pois a avaliação psicológica vai além dos registros realizados nos testes aplicados.

O psicólogo que atua na área de recursos humanos se depara com tal situação dia após dia. E há uma crença no senso comum de que ao psicólogo cabe a decisão da condenação ou da absolvição, utilizando-se de seus poderosos recursos de avaliação, os temidos testes psicológicos.

rh_02Mas podemos aproximar a lente para observar melhor essa cena. O psicólogo, profissional capacitado e autorizado a fazer tal avaliação, vê diante de si não só o candidato em potencial. Vê, antes de tudo, a pessoa. O ser humano com todas as emoções que fazem borbulhar e agitar esse  indivíduo em um momento tão especial.

O processo de recrutamento e seleção representa muito mais do que preencher uma vaga com um ser humano que vai render mais para a empresa. Significa preencher uma vaga com um ser humano e toda a sua complexidade. E essa complexidade está presente ali, na recepção da empresa de recrutamento e seleção, na sala de espera, na sala de testes, na sala de entrevistas. E mesmo ao telefone, quando são feitos os contatos iniciais. É esse ser humano complexo que precisa ser acolhido com todo o cuidado. Pois a avaliação psicológica vai além dos registros realizados nos testes aplicados.

A avaliação psicológica está presente em cada contato que o candidato faz com seu avaliador. Acolher as mensagens emitidas pelo candidato, conscientes e inconscientes, faz parte do processo e torna também a avaliação mais eficaz. Então, no encontro entre avaliado e avaliador há toda essa beleza. Encontro de seres humanos, encontro de complexidades, encontro de emoções que precisam ser acolhidas para que a pessoa, ou candidato, se mostre como realmente é, para além das emoções borbulhantes.

Ingrid Bravim é Psicóloga de Recursos Humanos da Ápice – Psicologia e Desenvolvimento. Escreve quinzenalmente em Infovix.

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